Quais são as doenças das glândulas salivares?
Antes de falarmos sobre as doenças que acometem as glândulas salivares, vamos entender um pouco melhor sobre elas.
As glândulas salivares podem ser classificadas em: glândulas salivares maiores (temos 3 pares: as parótidas, as submandibulares e as sublinguais) e glândulas salivares menores (temos centenas delas, distribuídas na região abaixo da mucosa de todo o trato aerodigestivo alto). Elas são responsáveis pela produção e secreção da saliva.
As doenças que acometem as glândulas salivares podem ser classificadas em neoplásicas (tumores benignos ou malignos) ou inflamatórias/infecciosas.
Tumores das glândulas salivares
Existem tumores benignos e malignos (câncer) que acometem as glândulas salivares. A proporção entre tumores benignos e malignos varia de acordo com as glândulas: a grande maioria dos tumores de parótida são benignos (80%), enquanto as glândulas salivares menores são mais frequentemente acometidas por tumores malignos (apesar de mais raros). Já a porcentagem de tumores malignos das glândulas submandibulares encontra-se ao redor de 50%.
Iremos citar a seguir os tipos mais comuns de tumores das glândulas salivares.
Tumores Benignos
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Adenoma Pleomórfico: tipo mais comum. Apesar de benigno, pode sofrer transformação maligna e, por este motivo, tem indicação cirúrgica.
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Tumor de Warthin (Cistoadenoma Papilar Linfomatoso): tipo de tumor benigno que acomete as parótidas e tem íntima relação com o tabagismo.
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Oncocitoma: Tumor raro que se desenvolve a partir de células oncocíticas das glândulas salivares.
Tumores Malignos (Câncer)
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Carcinoma Mucoepidermóide: tipo mais comum de câncer de parótida (e outras glândulas salivares em geral), podendo variar de baixo a alto grau de malignidade.
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Carcinoma Adenóide Cístico: segundo tipo mais comum, apresenta crescimento lento e tendência à invasão de nervos. Comum em glândulas salivares menores.
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Carcinoma de Células Acinares: geralmente de baixo grau, com crescimento lento.
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Adenocarcinoma Polimorfo de Baixo Grau: geralmente tem bom prognóstico. Mais comum em glândulas salivares menores.
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Carcinoma de Ducto Salivar: tumor mais agressivo, geralmente de alto grau. Mais comum na glândula parótida.
Doenças inflamatórias e infecciosas das glândulas salivares
Nem toda glândula salivar inchada significa tumor. Temos diversas etiologias que acometem as glândulas salivares.
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Sialoadenite
Trata-se de inflamação das glândulas salivares, podendo apresentar-se de forma aguda ou crônica. Pode ser causada por colelitíase (cálculo na glândula ou ducto salivar), após irradiação (radioterapia ou iodoterapia,) doenças autoimunes (síndrome de Sjogren), fibrose cística, infecções (caxumba), dentre outras causas.
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Sialolitíase
Uma das causas mais comuns de disfunção das glândulas salivares é o sialolito (cálculo). A formação destes cálculos ocorre na presença de estase salivar dentro do ducto da glândula, sendo a glândula submandibular mais suscetível devido à posição anatômica de seu ducto e à composição da saliva produzida por essa glândula (conteúdo mais mucinoso e com maior teor de cálcio).
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Irradiação
As glândulas salivares são extremamente sensíveis à radiação. O tratamento dos tumores de cabeça e pescoço, tanto com radioterapia quanto com iodoterapia radioativa, leva a um quadro de diminuição da secreção salivar. Parte dos pacientes apresenta o quadro de forma transitória, a depender da dose da radiação, mas parte destes mantém sintomas permanentes de boca seca, sendo necessário o suporte sintomático com o uso de saliva artificial em alguns casos.
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Síndrome de Sjogren
Trata-se de uma doença autoimune que cursa com sintomas como xerostomia (boca seca) e xeroftalmia (olhos secos). Em relação às glândulas salivares, ocorre a destruição do parênquima glandular, levando à redução ou ausência de secreção de saliva. O diagnóstico envolve a investigação com exames laboratoriais e também a biópsia das glândulas salivares menores presentes na mucosa labial, procedimento cirúrgico realizado pelo cirurgião de cabeça e pescoço.
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Infecções
A caxumba é a infecção viral mais comum das glândulas parótidas, mas outros tipos de vírus também podem acometer a glândula. Já infecções bacterianas podem ocorrer se houver obstrução mecânica dos ductos salivares ou diminuição da produção de saliva. Existem outros tipos de infecções mais raras, como tuberculose e toxoplasmose.
Como é feito o tratamento dos tumores das glândulas salivares?
O tratamento dos tumores, tanto benignos quanto malignos, costuma ser cirúrgico através da remoção da glândula salivar acometida. A depender de cada caso, pode ser realizada a ressecção parcial ou total da glândula, com ou sem a retirada de linfonodos (gânglios) do pescoço.
Cada glândula terá sua particularidade relacionada à cirurgia, especialmente em relação às estruturas anatômicas que se relacionam intimamente com cada glândula.
A cirurgia da glândula parótida, por exemplo, envolve a dissecção do nervo facial, responsável pela movimentação dos músculos da face.
Toda glândula salivar inchada precisa de cirurgia?
Nem toda doença que acomete as glândulas salivares envolve tratamento cirúrgico, mas boa parte delas sim. Por este motivo, é imprescindível a avaliação do Cirurgião de Cabeça e Pescoço para a melhor condução do caso. As glândulas salivares inflamadas, por exemplo, podem ser tratadas de forma conservadora através de medicações e outros cuidados em um estágio inicial, podendo precisar de tratamento cirúrgico em casos de recorrência.

Glândula submandibular com inflamação crônica associada a calculo volumoso
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É importante estar atento aos sinais e consultar um médico especialista em caso de dúvidas ou sintomas persistentes.
O tratamento de escolha deve ser individualizado, levando em consideração as particularidades de cada indivíduo e de sua doença. Cada paciente é único e cada caso deve ser avaliado individualmente, levando sempre em consideração expectativas, medos e a medicina baseada em evidência.
Dra. Cindel Zullino
Clínica de Cabeça e Pescoço em São Paulo - SP
Cirurgiã de Cabeça e Pescoço formada pela USP, especialista em Oncologia Cirúrgica de Cabeça e Pescoço. Atendimento individualizado, baseado em evidências científicas, com acolhimento e atenção em toda a jornada de cuidado da saúde.
Saiba mais sobre a Dra. Cindel Zullino.
Dra. Cindel Zullino
CRM:182.765 | RQE: 99089 | RQE: 95437
Tratamentos de Cabeça e Pescoço
Diagnóstico precoce e tratamento eficaz.

